Tocantins registra 3º tremor de terra em 2026; abalo de 3,7 está entre os maiores em quase 40 anos

Tocantins registrou o terceiro tremor de terra de 2026 e, desta vez, com a maior magnitude do ano. O abalo sísmico de magnitude 3,7 ocorreu nas proximidades de Sandolândia, no sul do Estado, na manhã do dia 4 de setembro. Apesar do registro chamar atenção, não houve danos e os órgãos de monitoramento afirmam que eventos dessa intensidade não representam risco significativo à população.
O tremor ocorreu às 5h45, no horário de Brasília, e foi detectado por estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR). Os dados foram analisados pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). O epicentro foi localizado nas coordenadas 12,68° Sul e 50,46° Oeste.
Não houve registro de danos estruturais. As primeiras informações divulgadas também apontaram que nenhum morador havia comunicado oficialmente ter sentido o abalo. Em reportagens locais posteriores, porém, foram citados relatos de pessoas que perceberam leves vibrações na região.
O dado que mais chama atenção está no histórico recente. Sandolândia foi o terceiro evento sísmico identificado no Tocantins somente neste ano.
Em 28 de fevereiro, um tremor de magnitude 3,3 foi registrado em Araguaçu, também no sul tocantinense. Depois, na madrugada de 21 de maio, outro abalo, de magnitude 2,8, ocorreu na região entre Cariri do Tocantins e Gurupi. Assim como no caso mais recente, não houve danos associados ao fenômeno de maio.
Entre os maiores já registrados
Um levantamento feito a partir do histórico do Centro de Sismologia da USP aponta pelo menos 34 tremores de magnitude 2,8 ou superior registrados no território tocantinense desde 1988. Dentro dessa série, o evento de Sandolândia está entre os de maior magnitude.
A lista aponta apenas dois registros superiores ao de setembro: um tremor de magnitude 3,9 em Porto Nacional, em janeiro de 1998, e outro de 3,8 em Natividade, em janeiro de 1989. Sandolândia, portanto, aparece com o terceiro maior valor de magnitude dessa relação histórica.
O Tocantins já teve tremores registrados em diferentes regiões. Além de Sandolândia, Araguaçu, Cariri e Gurupi, o histórico inclui municípios como Araguaína, Porto Nacional, Natividade, Paranã, Peixe, Pium, Lagoa da Confusão, Talismã, Mateiros, Ipueiras, Alvorada e Araguatins.
Araguaína, por exemplo, aparece no catálogo com um tremor de magnitude 3,0 registrado em agosto de 2014.
Por que a terra treme no Tocantins?
Embora o Brasil esteja distante das bordas das grandes placas tectônicas, onde ocorrem os terremotos mais destrutivos do planeta, isso não significa que o território brasileiro esteja livre de atividade sísmica.
Segundo os órgãos de monitoramento, pequenos tremores são relativamente comuns no país e estão geralmente associados às tensões e pressões acumuladas na crosta terrestre. Essas forças podem provocar movimentações em falhas e estruturas geológicas existentes no interior da placa tectônica.
A própria Rede Sismográfica Brasileira existe para acompanhar esse tipo de fenômeno. Formada por instituições como USP, Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Observatório Nacional, a rede utiliza dezenas de estações que transmitem dados para o monitoramento da sismicidade brasileira.
No caso de Sandolândia, o sismólogo José Alexandre Nogueira, do Centro de Sismologia da USP, explicou que um evento dessa magnitude pode ser percebido por quem estiver muito próximo do epicentro, com vibração de casas e objetos, mas não apresenta energia suficiente para provocar o colapso de construções.
O registro de três tremores em pouco mais de seis meses, portanto, chama atenção para a atividade sísmica existente no Tocantins, mas, pelos dados disponíveis até agora, não representa indicação de uma situação de risco ou de que um terremoto de maior intensidade esteja prestes a ocorrer.







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