Tocantins tem mais homens do que mulheres em um país de maioria feminina, aponta IBGE

Enquanto o Brasil consolida uma tendência demográfica marcada pela maioria feminina, um recorte específico chama atenção no Norte do país. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que o Tocantins segue na contramão dessa dinâmica e mantém predominância masculina um fenômeno raro no cenário nacional.
De acordo com a PNAD Contínua 2025, divulgada pelo IBGE na sexta-feira (17), o Brasil tem hoje cerca de 95 homens para cada 100 mulheres, diferença que se acentua progressivamente ao longo das faixas etárias. Ainda que nasçam mais meninos do que meninas, a maior mortalidade masculina ao longo da vida inverte essa proporção já na juventude e amplia o distanciamento na população adulta e idosa.
Tocantins como exceção estatística
No Tocantins, o quadro é distinto. O estado apresenta aproximadamente 105 homens para cada 100 mulheres, posicionando-se entre os poucos do país com maioria masculina. Esse padrão demográfico coloca o território em evidência ao lado de unidades como Mato Grosso, onde fatores econômicos e migratórios exercem forte influência na composição populacional.
A explicação passa, sobretudo, pelo perfil produtivo regional. Atividades ligadas ao agronegócio, à pecuária e à expansão de fronteiras agrícolas historicamente atraem trabalhadores homens, impactando diretamente a distribuição por sexo. Esse fluxo migratório contribui para manter o equilíbrio invertido, mesmo diante da tendência nacional oposta.
Um país de mulheres e por quê
No restante do Brasil, o predomínio feminino é resultado de fatores estruturais. Entre os principais estão:
Maior exposição masculina a mortes violentas e acidentes, especialmente entre jovens;
Menor adesão dos homens a cuidados preventivos de saúde;
Expectativa de vida inferior à das mulheres.
Esse conjunto de variáveis produz um efeito acumulativo: ao longo das décadas, a população feminina passa a ser maioria consistente, sobretudo nas faixas etárias mais avançadas.
Mais que números, um retrato social
A diferença entre homens e mulheres vai além de uma questão estatística. Ela reflete desigualdades profundas relacionadas a comportamento, acesso à saúde e condições de vida. No caso tocantinense, evidencia também como a economia molda o perfil populacional de forma direta.
Com pouco mais de 1,5 milhão de habitantes, o Tocantins apresenta uma configuração demográfica singular dentro do país, reforçando que o Brasil é composto por múltiplas realidades regionais.
Tendências e desafios
Especialistas apontam que o envelhecimento da população brasileira tende a ampliar ainda mais a maioria feminina no país. Já no Tocantins, mudanças no perfil econômico e nos fluxos migratórios serão determinantes para definir se o estado continuará como exceção.
O contraste entre o cenário nacional e o tocantinense expõe, em última análise, duas faces de um mesmo país: de um lado, os efeitos de desigualdades históricas que impactam a longevidade masculina; de outro, a força das dinâmicas econômicas regionais na formação da população.








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