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Lixão com irregularidades desde 2010 terá que ser fechado em Dueré por decisão judicial

tocantinsrural.com.br
Lixão com irregularidades desde 2010 terá que ser fechado em Dueré por decisão judicial

Município tem 180 dias para encerrar o descarte de resíduos e adotar uma solução ambientalmente adequada





A Justiça determinou que o município de Dueré, no sul do Tocantins, encerre definitivamente o descarte irregular de resíduos sólidos no lixão municipal no prazo de 180 dias. A decisão liminar, obtida pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), também exige que a prefeitura regularize os serviços de limpeza urbana e adote uma solução ambientalmente adequada para a destinação do lixo.





A determinação atende parcialmente a uma Ação Civil Pública (ACP) apresentada pela 7ª Promotoria de Justiça de Gurupi. Conforme a decisão, o município deverá encaminhar os rejeitos para um aterro sanitário devidamente licenciado, seja por contratação direta ou por meio de consórcio intermunicipal.





Segundo a promotora de Justiça Maria Juliana Naves Dias do Carmo, a medida busca solucionar problemas históricos na gestão dos resíduos sólidos de Dueré, identificados desde 2010. Mesmo após fiscalizações e tentativas de resolução extrajudicial, as irregularidades permaneceram.





Fiscalizações identificaram riscos ambientais e sanitários





Vistorias técnicas realizadas pelo Centro de Apoio Operacional de Urbanismo, Habitação e Meio Ambiente (CAOMA), nos anos de 2010, 2020 e 2024, identificaram uma série de problemas na área utilizada como lixão.





Entre as irregularidades estão o descarte de resíduos domésticos, comerciais, da construção civil e de serviços de saúde, sem as medidas adequadas de proteção ambiental. Os técnicos também constataram a ausência de impermeabilização do solo e de sistemas de controle do chorume, líquido produzido pela decomposição dos resíduos que pode contaminar o solo e a água.





As inspeções apontaram ainda a proximidade do lixão com cursos d’água, a ocorrência de queimadas, a proliferação de vetores de doenças e a presença de catadores trabalhando em condições precárias.





Ao analisar o pedido do MPTO, a Justiça considerou que a continuidade dessas práticas representa risco de agravamento dos danos ambientais e à saúde pública, especialmente pela possibilidade de contaminação dos recursos hídricos e disseminação de doenças.





Município terá que cumprir medidas em até 180 dias





A decisão judicial estabelece diferentes prazos para que a Prefeitura de Dueré organize o encerramento do lixão e implemente medidas de recuperação ambiental.





Nos primeiros 30 dias, o município deverá comprovar a adoção de ações emergenciais para controlar o acesso ao local, prevenir queimadas, impedir o espalhamento dos resíduos e proteger as pessoas que frequentam a área.





Em até 45 dias, a prefeitura terá que apresentar um cronograma físico-financeiro detalhando as etapas e os custos previstos para o fechamento do lixão e a implantação de uma alternativa adequada para a destinação dos rejeitos.





No mesmo prazo, deverá apresentar um cronograma para revisar e adequar tecnicamente o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e o Plano Municipal de Saneamento Básico.





Já em 120 dias, o município precisará apresentar um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), elaborado por profissional habilitado, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e cronograma de execução.





O prazo final de 180 dias será destinado ao encerramento definitivo do descarte irregular e à implementação de uma solução que garanta o encaminhamento dos rejeitos para aterro sanitário licenciado.





Descumprimento pode gerar multa diária de R$ 1 mil





Caso a Prefeitura de Dueré deixe de cumprir as determinações sem justificativa, poderá receber multa diária de R$ 1 mil.





A Justiça também determinou o envio de uma cópia da decisão ao Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), para conhecimento e eventual acompanhamento técnico das medidas de recuperação da área degradada.





A medida busca interromper a disposição inadequada dos resíduos e garantir que o município passe a adotar práticas de gestão ambiental que reduzam os riscos de contaminação e os impactos à população.


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