Nova espécie de planta descoberta no Jalapão recebe nome de Marina Silva e está ameaçada de extinção
Identificada por pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Oeste da Bahia, espécie ocorre no Tocantins e enfrenta riscos associados à perda de vegetação nativa no Cerrado
Uma nova espécie de planta encontrada na região do Jalapão, no Tocantins, foi oficialmente reconhecida pela ciência e recebeu o nome de Chamaecrista marinasilvae, em homenagem à ambientalista e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. A descoberta foi apresentada em um estudo publicado em outubro de 2026 na revista científica internacional Nordic Journal of Botany. Apesar de recém-descrita, a espécie já enfrenta ameaças relacionadas à perda de seu habitat natural.
A identificação ocorreu durante uma expedição científica realizada por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB). Após a coleta de um exemplar no Jalapão, os especialistas analisaram materiais disponíveis em herbários e descobriram que outras amostras da mesma planta haviam sido classificadas anteriormente como pertencentes a outra espécie.
O estudo foi conduzido pela bióloga Késia Ramos Miranda, mestranda em Ciências Ambientais pela UFOB, em colaboração com Raiana Rocha de Souza, Marcelo Fragomeni Simon e Juliana Gastaldello Rando.
A nova planta pertence à família das leguminosas e apresenta semelhanças com a Chamaecrista juruenensis, espécie com a qual era confundida. No entanto, análises detalhadas revelaram diferenças na coloração e na presença de pelos nos ramos, na estrutura das folhas e nas características dos frutos, permitindo sua identificação como uma espécie distinta.
Espécie enfrenta riscos no Cerrado
Até o momento, os registros conhecidos da Chamaecrista marinasilvae estão concentrados no Tocantins, especialmente na região do Jalapão. A distribuição geográfica limitada aumenta a preocupação dos pesquisadores com a conservação da planta.
Segundo o estudo, a espécie ocorre em uma região marcada por transformações no uso do solo e pela redução de áreas de vegetação nativa. A perda e a fragmentação do habitat representam ameaças à sua sobrevivência.
Parte dos registros está localizada na Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, unidade de conservação de proteção integral. Também existem ocorrências nas proximidades do Parque Estadual do Jalapão.
A presença da planta em áreas protegidas é considerada importante para sua conservação, especialmente diante das pressões ambientais sobre o Cerrado.
Homenagem a Marina Silva
A escolha do nome científico reconhece a trajetória de Marina Silva na defesa do meio ambiente e da biodiversidade brasileira.
De acordo com a pesquisadora Késia Ramos Miranda, a homenagem também chama a atenção para a importância das unidades de conservação na proteção de espécies que ainda estão sendo identificadas pela ciência.
Marina Silva comentou a descoberta nas redes sociais e afirmou ter recebido a homenagem com emoção. Para a ambientalista, ter o nome associado a uma espécie representa um reconhecimento significativo de sua atuação na defesa da natureza.
Além de apresentar as características da nova planta, o artigo científico reúne informações sobre sua distribuição geográfica, períodos de floração e frutificação e estado de conservação.
A descoberta amplia o conhecimento sobre a biodiversidade do Tocantins e evidencia a importância das pesquisas científicas no Jalapão, região que abriga espécies ainda pouco conhecidas e enfrenta desafios para a preservação de seus ecossistemas naturais.
Com informações do g1 Tocantins.
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