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Alto Tocantins e Araguaia concentram 41% da perda de vegetação nativa próxima a rios no Cerrado

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Alto Tocantins e Araguaia concentram 41% da perda de vegetação nativa próxima a rios no Cerrado

MapBiomas aponta redução de 5,7 milhões de hectares nas duas bacias entre 1985 e 2025; no bioma, 13,9 milhões de hectares foram perdidos em áreas a até 500 metros de cursos d’água





As bacias do Alto Tocantins e do Araguaia concentraram cerca de 41% de toda a redução de vegetação nativa registrada em áreas localizadas a até 500 metros de rios e outros cursos d’água no Cerrado entre 1985 e 2025.





Os dados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas, divulgada nesta quinta-feira (8), e mostram que as duas bacias perderam, juntas, aproximadamente 5,7 milhões de hectares de cobertura nativa nesse intervalo.





No Alto Tocantins, a vegetação nativa situada nessa faixa caiu de 9,7 milhões para 6,8 milhões de hectares. Na bacia do Araguaia, passou de 7,8 milhões para 5,1 milhões de hectares.





No Médio São Francisco, a redução foi de 4,9 milhões para 3,8 milhões de hectares.





Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares próximos a rios





Considerando todo o Cerrado, o levantamento aponta perda de 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em áreas situadas a até 500 metros dos rios entre 1985 e 2025.





O volume corresponde a 26,9% de toda a vegetação nativa perdida no bioma no período.





Na faixa de até 30 metros dos cursos d’água, a cobertura nativa diminuiu 13,9% ao longo das quatro décadas analisadas. Em 2025, pastagens e áreas agrícolas ocupavam juntas 18,2% dessa faixa.





Ainda restavam, naquele ano, 36,5 milhões de hectares de vegetação nativa em até 500 metros dos rios, área equivalente a 36,7% de toda a vegetação remanescente no Cerrado.





Segundo Bárbara Costa, analista de pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas, a redução da cobertura próxima aos rios pode afetar diretamente a conservação do solo e dos recursos hídricos.





“A vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d’água. A redução dessa cobertura pode aumentar o assoreamento, afetar a qualidade e a disponibilidade da água e deixar a paisagem mais vulnerável a eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas”, afirma.





Cerrado perdeu 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa





O Cerrado possui cerca de 200,4 milhões de hectares e perdeu, em termos líquidos, 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2025, redução de 34%.





A formação savânica foi a mais afetada, com perda de 34 milhões de hectares, queda de 41%.





Em 2025, a vegetação nativa ocupava 49,6% do bioma.





No mesmo período, a área destinada à agropecuária mais que dobrou. Passou de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares, crescimento de 110%, chegando a ocupar 48,9% do Cerrado.





A agricultura ganhou 24,7 milhões de hectares e alcançou 29,7 milhões de hectares em 2025. No mesmo ano, o Cerrado concentrava 49,2% da área de soja cultivada no Brasil.





Matopiba concentra conversão de vegetação para agricultura





O levantamento mostra diferenças entre as regiões do Cerrado.





Até 2005, predominava a conversão de vegetação nativa para pastagem. Entre 2015 e 2025, porém, os estados do Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, passaram a concentrar a conversão direta de vegetação nativa para agricultura.





Nesse período, 81,4% das transições de vegetação nativa para agricultura registradas no Cerrado ocorreram no Matopiba.





Já nos demais estados do bioma, predominou a substituição de áreas de pastagem por agricultura. Essas regiões responderam por 78% desse tipo de conversão.





Em 2025, o Matopiba reunia 47,7% da vegetação nativa remanescente do Cerrado. A região respondeu por 37,3% de toda a redução da vegetação nativa entre 1985 e 2025.





Quando considerado apenas o período entre 2015 e 2025, o Matopiba concentrou 65,7% dos 10,5 milhões de hectares de vegetação nativa perdidos no Cerrado.





Agropecuária passa a predominar em mais municípios





Em 2025, seis dos 13 estados com áreas inseridas no Cerrado ainda mantinham mais da metade de sua porção no bioma coberta por vegetação nativa.





O Piauí apresentou a maior proporção, com 78,2%, enquanto São Paulo registrou a menor, com 14,7%.





A agropecuária passou a ser predominante em 61% dos municípios do Cerrado, ante 41% em 1985.





Ao longo do período, 301 municípios deixaram de ter predomínio de vegetação nativa.





O número de municípios com menos de 20% de cobertura nativa passou de 154, em 1985, para 381 em 2025. Já aqueles com mais de 80% de vegetação nativa diminuíram de 624 para 225.





Segundo o MapBiomas, 77,7% da perda de vegetação nativa ocorreu em áreas privadas com registro georreferenciado.





Terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação ocupam 7,5% do Cerrado e concentram 13,9% da vegetação nativa restante. Nesses territórios, a perda acumulada desde 1985 foi de aproximadamente 500 mil hectares.





Outros usos do solo





As áreas classificadas como campo alagado e área pantanosa perderam 1,4 milhão de hectares, redução de 18%. Do total convertido, 76,2% passou a ser ocupado por pastagem ou agricultura.





A silvicultura cresceu de 600 mil hectares para 3,9 milhões de hectares entre 1985 e 2025, alta de 511%.





A mineração ocupa atualmente 61.743 hectares, crescimento de 516% em quatro décadas. Segundo o levantamento, 69,6% das áreas convertidas para mineração eram originalmente cobertas por vegetação nativa.





A área urbanizada do Cerrado chegou a 1 milhão de hectares em 2025, enquanto as usinas fotovoltaicas ocupavam 14.215 hectares e os parques eólicos, 2.180 hectares.





Com informações do MapBiomas.






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