Renda digna no Tocantins para família de quatro pessoas seria de R$ 3.488, aponta estudo

Uma família formada por quatro pessoas precisaria de uma renda mensal entre R$ 3.392 e R$ 3.488 para viver com dignidade no Tocantins. Já o salário digno de um trabalhador deveria variar de R$ 2.234 a R$ 2.298, segundo um novo estudo que calcula o custo de uma vida básica, porém adequada, em diferentes regiões do país.
Os valores são referentes a junho de 2025 e foram estimados pelo Anker Research Institute, em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, no âmbito da iniciativa Salário Digno Brasil.
O levantamento considera gastos essenciais com alimentação saudável, moradia adequada, transporte, saúde, educação, vestuário e outras necessidades básicas. Também é incluída uma margem para despesas inesperadas.
Quanto seria necessário ganhar no Tocantins
O estudo divide o Tocantins em duas mesorregiões, conforme a classificação territorial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Na região Ocidental, onde estão municípios como Araguaína, Gurupi e Colinas do Tocantins, o salário digno foi calculado em R$ 2.234. Para uma família de quatro pessoas, a renda mensal considerada adequada seria de R$ 3.392.
Na região Oriental, que inclui Palmas, o salário digno estimado sobe para R$ 2.298. A renda necessária para uma família de quatro integrantes alcançar um padrão básico de dignidade seria de R$ 3.488 por mês.
Apesar de reunir a capital, a região Oriental apresentou uma diferença relativamente pequena em comparação com o restante do estado. Palmas não recebeu um cálculo separado.
Segundo Ian Prates, diretor da iniciativa ARI-Cebrap, isso ocorre porque as diferenças são menores quando a análise se concentra no custo das necessidades essenciais das famílias de menor renda.
“O custo de vida pode parecer muito mais alto em Palmas do que nas outras regiões do estado para as classes médias e altas. Mas, quando olhamos quanto custa o básico, embora decente, essa diferença é muito menor”, explicou.
Estudo calcula custo real das necessidades básicas
A metodologia utilizada não se limita a linhas de pobreza ou médias nacionais. O cálculo considera os preços e as condições de vida encontrados em cada território, buscando estimar quanto uma pessoa ou família precisaria receber para atender às necessidades básicas sem privações.
De acordo com Ian Prates, os números não substituem políticas públicas, pisos salariais ou negociações entre trabalhadores e empregadores. A proposta é oferecer uma referência técnica para o debate sobre remuneração, pobreza e desigualdade.
“O salário digno não é apenas um número. Ele ajuda a responder qual é o mínimo que uma família precisa ganhar, em determinado local, para viver com dignidade”, afirmou.
O Tocantins passa, assim, a integrar o grupo de estados brasileiros com estimativas próprias de salário e renda dignos. O Brasil foi escolhido como país-piloto do programa devido às diferenças regionais e à disponibilidade de dados sobre o custo de vida.
O levantamento no Tocantins contou com apoio da EDP South America. O relatório completo está disponível no site do Anker Research Institute.








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