Festival de cinema de Brasília vive impasse; classe artística repudia


No entanto, ainda na noite desta segunda, a governadora do DF, Celina Leão, publicou em suas redes sociais a determinação para que a Secretaria de Economia providencie os recursos necessários para o festival. De acordo com ela, o evento está confirmado.
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Em publicação nas redes sociais, o diretor artístico do festival, Eduardo Valente chegou a lamentar o possível cancelamento. Ele pediu a união de todos os envolvidos com cinema para manter o evento.
“O que teremos para amanhã e depois? Difícil dizer, mas, seguramente, nem essa edição nem o futuro deste evento será determinado só por quem estava aqui lutando para organizá-lo. Teremos que ver o quanto as associações em geral, o setor do cinema, o público do DF e até, por que não, outros festivais de cinema do país estarão dispostos a se juntar nessa briga”, escreveu Valente.
Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, não se manifestou a respeito do assunto.
Tristeza e revolta
Tiago de Aragão, diretor no Centro Oeste da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API), associou o possível cancelamento do festival à crise instalada no GDF após o escândalo dos bilhões de reais em títulos podres do Banco Master comprados pelo Banco de Brasília (BRB).
“São dezenas de profissionais empregados que já estavam trabalhando sem receber; são produtoras e cineastas de todo o país que reservaram o lançamento dos seus filmes para Brasília. A imagem que fica é de um GDF que pode não honrar seus compromissos para sanar um rombo causado em uma história espúria que envolveu o BRB com o Banco Master e Vorcaro”.
Para Tatiana Costa, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), o que acontece no DF pode reverberar por outros festivais do país.
“Só durante a ditadura que o Festival de Brasília não foi realizado. E o que isso significa simbolicamente? Para além das decisões financeiras, é uma decisão política do GDF. Isso nos preocupa imensamente, porque não ameaça apenas o festival de Brasília, e sim todos os festivais de cinema do Brasil”.
Carina Bini é cineasta de Brasília. Na edição do ano passado, subiu ao palco do Cine Brasília com todo o elenco de seu filme Mil Luas para apresentá-lo ao público da cidade. Hoje, ela lamenta a possibilidade de um auditório vazio e uma tela apagada em setembro.
“O Festival de Brasília movimenta todo um mercado de trabalho, uma cadeia produtiva do audiovisual, traz pessoas para a cidade, ele é um evento que gera emprego, gera recurso para o Distrito Federal e é importante historicamente para o cinema brasileiro”, destaca.
Festival histórico
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país e chega, em 2026, à marca de 59 edições. A mostra competitiva está marcada para ocorrer de 11 a 19 de setembro, no Cine Brasília.
O Festival nasceu em 1965 e, ao longo das décadas, consolidou-se como um espaço de debate sobre o audiovisual brasileiro. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal. Ao longo das décadas, só não foi realizado em dois anos durante a ditadura militar. Durante a pandemia, foi realizado de forma virtual.
Um diferencial em relações a outros festivais é que as obras selecionadas precisam ser inéditas e os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital.
*Matéria atualizada para inserir novo posicionamento do governo do Distrito Federal sobre a possibilidade de realização do festival.







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