Tocantins suspende autorizações para queima controlada até 31 de outubro
Medida entrou em vigor neste último domingo (27) para reduzir o risco de incêndios durante o período mais crítico da estiagem.
O Governo do Tocantins, por meio do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), suspendeu a emissão e a vigência das Autorizações Ambientais de Queima Controlada em todo o Estado entre 27 de julho e 31 de outubro de 2026. A medida foi oficializada pela Portaria nº 190/2026/NATURATINS/GABIN, publicada após avaliação do elevado risco de incêndios florestais durante o período de estiagem.
A decisão leva em consideração as condições climáticas típicas desta época do ano, marcadas por temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e vegetação extremamente seca, fatores que aumentam significativamente a possibilidade de propagação do fogo.
A suspensão ocorre em um momento de alerta para o setor agropecuário. Conforme mostrou o Tocantins Rural em reportagem publicada nesta semana, produtores de milho no Estado já vêm alterando a rotina de trabalho e realizando parte da colheita durante a noite para reduzir o risco de incêndios provocados por faíscas geradas pelas máquinas agrícolas.
Medida reforça prevenção durante a estiagem
Na portaria, o Naturatins destaca que a suspensão tem como fundamento a proteção ao meio ambiente, prevista no artigo 225 da Constituição Federal, e considera que o período de seca no Cerrado representa um cenário de alto risco ambiental.
O objetivo é reduzir a possibilidade de que queimadas autorizadas escapem do controle e se transformem em incêndios de grandes proporções, situação recorrente durante os meses mais secos do ano.
Campo já sente os efeitos do clima
O cenário climático que motivou a publicação da portaria já vem impactando diretamente a produção agrícola tocantinense.
Com temperaturas que chegam a 37°C, baixa umidade do ar e previsão de continuidade do tempo seco, muitos agricultores passaram a concentrar a colheita do milho safrinha durante a noite. A estratégia busca preservar as lavouras, proteger as equipes de trabalho e diminuir as chances de ignição da vegetação seca.
O Tocantins cultivou mais de 1 milhão de hectares de milho em 2026 e atravessa justamente o período mais crítico da estiagem, tradicionalmente entre julho e setembro.
Os números também reforçam a preocupação. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o Estado registrou 11.548 focos de incêndio em 2025. Em 2026, até 22 de julho, já haviam sido contabilizados 3.314 focos.
Período de maior atenção
A suspensão das autorizações de queima controlada é uma medida adotada anualmente em diversos estados do Cerrado durante o período proibitivo do fogo. Além de reduzir os riscos ambientais, a restrição busca proteger propriedades rurais, áreas de preservação, fauna, flora e a saúde da população, já que os incêndios também contribuem para a piora da qualidade do ar.
Com a previsão de permanência do calor intenso e da baixa umidade nas próximas semanas, órgãos ambientais reforçam a orientação para que produtores e a população evitem qualquer prática que possa provocar incêndios, especialmente nas áreas rurais e às margens de rodovias.
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