Mortes de cães e estrutura precária levam Ministério Público a investigar canil da PM do Tocantins

Mortes de cães, filhotes infectados com leishmaniose e graves problemas estruturais levaram o Ministério Público do Tocantins (MPTO) a abrir um procedimento para investigar as condições da base do Grupo de Operações com Cães da Polícia Militar.
A apuração começou de ofício, após uma visita institucional ao canil. Um relatório técnico assinado pela médica veterinária e tenente-coronel Ana Iara Borges Scheffer Rezende descreveu o estado de acentuada precariedade da unidade.
Entre as falhas apontadas está a ausência de pia para higienização no banheiro masculino. O alojamento feminino também estaria integrado ao sanitário, sem separação física adequada.
O ambulatório veterinário não possui pia nem bancada apropriada para os procedimentos. Segundo o MPTO, a estrutura está em desacordo com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária.
O Procedimento nº 2026.0003524 foi instaurado por meio da Portaria nº 3965/2026, de 7 de julho de 2026.
Cães morreram e filhotes foram infectados
O documento menciona um grave impacto epidemiológico sobre o plantel do grupo, com mortes de cães e infecção de filhotes por leishmaniose visceral e tegumentar. A portaria não informa quantos animais morreram ou foram contaminados.
As instalações ficam próximas a uma área de mata nativa, situação apontada como fator que amplia o risco de exposição. O relatório também afirma que os boxes estão voltados para a área interna de circulação, o que aumentaria o estresse dos animais e dificultaria o escoamento dos dejetos.
A investigação busca avaliar os riscos à biossegurança, à saúde dos policiais que trabalham no local e à integridade dos cães utilizados nas operações.
Projeto futuro não resolve problemas atuais
Conforme registra a portaria, a Procuradoria-Geral do Estado não respondeu a uma requisição anterior dentro do prazo estabelecido.
A Secretaria Estadual da Segurança Pública limitou-se a informar o redirecionamento do expediente. Já o Comando-Geral da Polícia Militar encaminhou um projeto arquitetônico para uma futura base.
Para o MPTO, entretanto, a apresentação do projeto não soluciona as deficiências emergenciais de higiene e salubridade no imóvel atualmente utilizado.
O Comando da PM terá dez dias úteis para informar se existe dotação orçamentária e cronograma físico-financeiro para execução da nova estrutura. No mesmo prazo, deverá apresentar um plano emergencial para instalar pias no banheiro masculino e no ambulatório, além de separar adequadamente o alojamento feminino.
A Procuradoria-Geral do Estado também será novamente oficiada e terá dez dias úteis para responder às informações anteriormente requisitadas.
A abertura do procedimento não atribui responsabilidade definitiva a gestores ou policiais. O objetivo é acompanhar as medidas administrativas e cobrar a adequação das instalações.








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